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domingo, 13 de setembro de 2009

LAMPIÃO USA CEGO ADERALDO, JOVEM CANTADOR QUE O ACOMPANHAVA NA ÉPOCA PARA LEVANTAR O MORAL DE SEUS CANGACEIROS.


Em mil, novecentos e trinta e seis Lampião domina inconteste os bandos cangaceiros. Há muito recebera patente de capitão, graças a negociações com Padre Cícero, embora isso nunca o tivesse defendido da caçada sem tréguas empreendida pelos poderes constituídos. No afã de extinguir o bando, quatro estados nordestinos juntaram-se na empreitada: Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe.
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Enquanto isso Lampião cruza os sertões. Sua aptidão em conduzir sua gente era tema de muitas histórias.



Certa feita, ele havia saído de uma refrega onde sofrera lastimável derrota e temia pelo desânimo que dominava a quase totalidade de seus cangaceiros. Também não era para menos. Haviam sido expulsos de uma inexpressiva aldeia de Garanhuns, Serrinha do Catimbau, por pacatos agricultores e criadores de cabras. Esse foi um certame sem sorte para o bando: haviam perdido um dos cães e Maria bonita fora baleada, e se encontrava sofrendo, perdendo sangue em excesso! A comitiva deixara às pressas Serrinha e seguia em fila única capoeira adentro rumo ao subdistrito de Buíque quando Lampião viu o desânimo a toldar o semblante de seus companheiros. Piorando a situação, diferente de Maria Bonita que se comportava silenciosa, um dos cabras gemia e se lastimava, escondendo-se na traseira da fila, queixando-se de dores no corpo. A esse os serrinhenses haviam quebrado três dentes, deixando-o instável, envergonhado e com uma repentina gagueira. Lampião, com medo de que o lamuriento acabasse por baixar ainda mais o moral de seus comandados, pede a seu cantador, o jovem cego Aderaldo, que o fizesse calar, que o anarquizasse na viola. Cego Aderaldo que já era famoso na nobre arte dos versos saiu-se com o seguinte improviso:

O cangaceiro aí atrás gago e sem dentes
Febres reumáticas e outros males o adoece’
Certos achaques qu’a meizinha desconhece
Erisipela, dor nas cruz, ’velhecimento.
Mas o que mais lhe aperreia o pensamento
É Lampião tê-lo por lerdo e desastrado
Vai se arrastando lá por trás desconfiado
Pra não ouvir o que descreve o cantador
Que dinostica e anarquiza qualquer dor
Num bom martelo de dez pés agalopado.

Foi o suficiente. Depois dos versos do repentista, a cabroeira toda se agitou numa gargalhada sem freios e a comitiva continuou em direção ao vilarejo de Buíque com o moral repentinamente melhorado.


Foi em Buíque, depois do restabelecimento de Maria Bonita, que Lampião recebeu a notícia de que Moreno havia deixado os quartéis. O casal viera residir em Matinha. Ao saber do paradeiro do homem que em sua concepção o traíra, Lampião arregimenta o melhor de seus cabras e parte. Subiriam através da linha da divisa onde iriam executar a vingança. A ordem drástica era que também deveriam assassinar Luísa, assim exigia a dura lei imposta por Lampião.